terça-feira, 14 de novembro de 2017

Nem sempre se educa nas escolas


Uma vergonha a deseducação para os maus tratos anos animais que é promovida por uma escola pública dos Açores. até quando?

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Pedagogo Adolfo Lima


O Pedagogo Adolfo Lima

Quando se fala no Movimento da Escola Moderna há nomes que é obrigatório referir pelo seu contributo para a filosofia daquela organização portuguesa de autoformação cooperada de professores.
Sérgio Niza, o nome mais conhecido e o líder daquele movimento, num texto publicado, em 2001, na revista “Escola Moderna”, recorda os nomes dos franceses Célestin Freinet e Barthélemy Profit, dos norte-americanos John Dewey e Jerome Bruner e do russo Liev Vygostky. Relativamente aos portugueses, Sérgio Niza destaca os nomes de António Sérgio, já mencionado em textos anteriores que publicamos no Correio dos Açores, e de Adolfo Lima, que daremos a conhecer no texto de hoje.

Adolfo Godfroy de Abreu e Lima, nasceu em Lisboa no dia 28 de maio de 1874 e faleceu, com 69 anos de idade, na mesma cidade a 27 de novembro de 1943. Filho de família abastada pertencente à nobreza, segundo Alexandre Vieira no seu livro “Figuras Gradas do Movimento Social Português, “poderia ter usado, após o desaparecimento do seu progenitor, o título de conde, que lhe pertencia, mas que não quis adoptar, do mesmo passo que abandonou todas as honrarias e proveitos, preferindo fazer uma vida apagada, mas plena de trabalho fecundo”.

Adolfo Lima que foi Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo exercido advocacia entre 1902 e 1910, abandonou a sua profissão para se dedicar ao ensino, segundo Alexandre Vieira, porque “capacitara-se de que estivera deslocado, até então, do ponto de vista profissional”. O historiador, arquivista e escritor Edgar Rodrigues, numa nota biográfica corrobora as afirmações anteriores quando afirma que: “Os seus sentimentos incompatibilizaram-no com a sua profissão e foi ser professor de Sociologia no Curso Livre de Arte de Representar na Associação de Classe dos Artistas Dramáticos”.

Não sendo operário, Adolfo Lima dedicou grande parte da sua vida á luta pela emancipação dos trabalhadores, tendo colaborado com as suas organizações sindicais, como a Comissão Executiva do Congresso Sindicalista, a União Operária Nacional e a Confederação Geral do Trabalho, tendo sido ele, segundo Edgar Rodrigues, o autor da tese Organização Social Sindicalista, apresentada no Congresso da Covilhã, realizado em 1922.

Na área da educação, Adolfo Lima foi professor do ensino particular em diversos estabelecimentos de ensino, lecionou no Liceu Pedro Nunes, de 1911 a 1923, na Escola Normal Primária de Lisboa onde foi responsável pela disciplina de Metodologia, criou e dirigiu a Escola-Oficina nº 1, foi chefe dos Serviços Escolares da Sociedade A Voz do Operário, colaborou com a Universidade Popular Portuguesa e foi dirigente da Sociedade de Estudos Pedagógicos e da Liga de Ação Educativa.

Para além de ter colaborado em diversas revistas e jornais de orientação libertária, traduziu várias obras de autores famosos, como a “Verdade”, de Emílio Zola, e “A Luta Univeral”, de Dante. Das diversas obras da sua autoria, destacamos a “Pedagogia Sociológica: princípios de pedagogia e plano de uma organização geral de educação”, em dois volumes, publicada em 1936. Ainda na área do ensino, Adolfo Lima fundou a revista Educação Social e a Enciclopédia Pedagógica Progredir.

De acordo com Edgar Rodrigues, “a sua actividade mais importante exerceu-a na Escola Oficina n.° 1, no Largo da Graça. Nesta escola que existiu entre 1906 e 1926 e que funcionava em regine de coeducação sexual e onde as punições físicas eram proibidas, há a destacar quatro aspetos que de acordo com o texto “Movimento operário português e educação (1900-1926) de António Candeias eram os seguintes:
1- A existência de trabalhos manuais:

2- A existência de uma associação de alunos, a Solidária, que tinha à sua responsabilidade a organização das refeições, de festas, competições desportivas, etc.;

3- A introdução de disciplinas como a dança, o teatro e a música;

4- A “preocupação de desagregação tanto social como sexual; fábricas para raparigas, bordado e dança para rapazes; música, teatro e dança para filhos de operários, fábricas de latoaria para filhos de intelectuais, etc.”

Casimiro Amado, por seu turno, num texto publicado em 1998, considerou Adolfo Lima como o “introdutor da escola única em Portugal” e o “autor duma verdadeira reflexão nacional sobre o problema ao relacioná-lo com a realidade educativa e social portuguesa”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31375, 8 de novembro de 2017, p.16)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Charcos com vida

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Educar de outra maneira: O MEM e a Escola da Ponte


Educar de outra maneira: O MEM e a Escola da Ponte

“…Isso prova que o homem mais bem dotado pela natureza só recebe faculdades, mas essas faculdades permanecem mortas se não forem fertilizadas pela ação benfazeja e poderosa da coletividade. Diremos mais. Quanto mais o homem é beneficiado pela natureza, mais ele apreende da coletividade; disso resulta que mais ele deverá devolver-lhe, com toda justiça.” (Mikhail Bakunin)
Um texto intitulado “Sempre a aprender”, publicado na revista “Máxima”, de setembro de 2017, leva o leitor a fazer um rápido percurso por diversas “escolas que ensinam diferente”, como as Escolas João de Deus, que tem como modelo de ensino a Cartilha Maternal, a Escola da Ponte, que possui um modelo criado por José Pacheco, a Voz do Operário, que recorre às teorias socioconstrutivistas, Os Aprendizes, inspirada na metodologia High Scope, na pedagogia Waldorf, etc.

Entre nós, nos últimos anos, um grupo ainda não muito grande de professores e educadores, dos poucos que ainda estão vivos nas escolas, tem frequentado ações de formação relacionadas com o projeto pedagógico da Escola da Ponte e com o Movimento da Escola Moderna, o mais importante movimento pedagógico português, segundo António Nóvoa.

A Escola da Ponte é uma escola pública criada por José Pacheco em 1976, infelizmente mais conhecida no estrangeiro do que em Portugal, e o Movimento da Escola Moderna surgido “a partir da atividade de seis professores que se constituíram, em fevereiro de 1965, num Grupo de Trabalho de Promoção Pedagógica impulsionado pelos cursos de aperfeiçoamento profissional de professores que Rui Grácio promoveu e dirigiu no Sindicato Nacional de Professores”, tem como principal mentor o pedagogo Sérgio Niza.

Na ilha de São Miguel há um grupo de professores que de algum modo tem ligação com a Escola da Ponte, estando a desenvolver esforços para a criação de uma escola inspirada naquela e há outro grupo que está a fazer a sua autoformação cooperada no Movimento da Escola Moderna que organiza mensalmente “sábados pedagógicos”, abertos a todos os professores e educadores interessados.

Talvez por haver pessoas que estão envolvidas em ambas as iniciativas, há por vezes alguma confusão entre a experiência pedagógica portuguesa mais conhecida, a Escola da Ponte e o Movimento da Escola Moderna. A título de exemplo, refiro a pergunta que me foi feita recentemente: a escola não abre, então por que razão continua a formação que vocês não param de fazer?

Outra questão que tem surgido é se o Movimento da Escola Moderna é uma organização que se limita a usar as técnicas do pedagogo francês Célestin Freinet?

Começando por responder a esta última questão, Sérgio Niza, em 1997, numa entrevista à revista Noésis, afirmou o seguinte: “Não partimos como Freinet da ideia de construir um modelo escolar, mas sim de nos formarmos como professores e dessa forma irmos fazendo avançar as nossas práticas. […] Isso não impede que ainda hoje utilizemos algumas técnicas Freinet, porque, em boa verdade, as técnicas Freinet não eram dele. Foram técnicas que estavam disponíveis e a que deu novo sentido”.

Em relação às diferenças entre o MEM e a Escola da Ponte, Sérgio Niza, numa entrevista concedida a Júlio Aquino, da Universidade de São Paulo, publicada, em 2013, na revista “Educação e Pesquisa”, disse que “a Escola da Ponte manteve-se numa aproximação a muitas coisas que são da Escola Nova, mesmo na sua estrutura, nas grandes assembleias de alunos, uma grande individualização do trabalho dos alunos, quase mesmo uma aprendizagem individual.”

Ainda sobre a Escola da Ponte e sobre as diferenças em relação ao MEM, Sérgio Niza afirmou: “Se aprofundassem o modelo de trabalho deles, iriam descobrir que se mantinham ligados a uma espécie de pedocentrismo centrado nos planos curriculares individuais das crianças, o que conflitua com uma forte dimensão cooperada de entreajuda que funda as nossas práticas de comunidades de aprendizagem”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31370, 1 de novembro de 2017, p.8)

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Por que razão continuam as papelarias das escolas a vender folhas de testes?




Segundo diretiva da Direção Regional da Educação "não devem ser cobradas aos alunos abrangidos pela escolaridade obrigatória quaisquer taxas por cartão de identificação, caderneta do aluno, ou documento que o substitua, impressos de matrícula / inscrição ou de transferência de escola, folhas de teste, impressos de inscrição para exames, certificados ou quaisquer outros documentos relacionados com a matrícula, frequência e conclusão da escolaridade obrigatória e sua certificação, salvo quando se trate de 2.as vias, por motivo de extravio ou outro da responsabilidade dos alunos".

Por que razão continuam as papelarias das escolas a vender folhas de testes?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Escola da Ponte



A Ponte está cercada

A passos largos para atingir os quarenta anos de serviço como professor de várias escolas públicas, na ilha Terceira e em São Miguel, e com alguma experiência de lecionação em três escolas profissionais, continuo a interrogar-me sobre o papel das escolas na sociedade de hoje.

Aproveitei o período de férias anuais para ler vários livros, sobre os mais diversos temas e como não podia deixar de ser sobre os relacionados com a escola, o ensino e a educação.

De entre os livros que li, destaco o de Paulo M. Morais intitulado “Voltemos à Escola”, sobre a experiência da Escola da Ponte que, sendo uma escola pública, ensina de forma diferente, seguindo os mesmos princípios há 40 anos.

A Escola da Ponte existe, segundo António Sampaio da Nóvoa, graças à inteligência e energia de José Pacheco e de todas as pessoas que deram continuidade ao projeto até hoje. Ainda segundo o referido autor, a Escola da Ponte: “é apenas, e isso é o mais, uma iniciativa de educadores, que se foram juntando, pensando e construindo práticas pedagógicas diferentes, abrindo-se à sociedade, colaborando com os pais, dando aos alunos o seu lugar próprio na escola”.

Se antes da leitura do livro tinha muitas dúvidas, a verdade é que ainda continuo com muitas outras, uma das quais estava relacionada com o tipo de alunos que frequentavam a escola. Isto é, pensava que o sucesso da Escola da Ponte só era possível através de uma boa seleção de alunos, o que não é verdade, pois a escola trabalha com todo o tipo de crianças e jovens, até com aqueles a que denominavam “lixo”.

Depois da leitura de muitos pedagogos libertários, pensei que a Escola da Ponte fosse influenciada por algum deles, mas, através da leitura do livro, cheguei à conclusão de que, embora haja muito em comum, aqueles não foram referência para a Ponte. Com efeito, as referências pedagógicas da Escola da Ponte são uma publicação da Unesco sobre o ensino individualizado, o filósofo francês Emmanuel Mounier, o pedagogo francês Celéstin Freinet, a pedagoga e médica italiana Maria Montessori, o filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey, o pedagogo norte-americano William Kilpatrick e o movimento pedagógico português “Movimento da Escola Moderna”. Para além do mencionado, José Pacheco acrescentou às suas influências: “Nunca cito isso, mas apetece-me: a maior referência para mim foi [Jiddu] Krishnamurti. E toda a tradição de Mahatma Gandhi e Lanza del Vasto.”.

Possuindo a Escola da Ponte mais de quarenta anos e tendo superado todas as avaliações externas, por que razão o seu “modelo” não se replicou e pelo contrário o seu isolamento é tal que vive sempre no fio da navalha?

A verdade é que a Escola da Ponte é mais conhecida no estrangeiro, sobretudo no Brasil, do que em Portugal e o seu projeto ao contrário de ser promovido pelas entidades governamentais tem sido alvo de ataques à espera que a mesma colapse.

Como exemplo, refiro o caso da colocação de professores que, ao contrário do que acontecia, passou a ser igual ao de todas as outras escolas, em vez de a mesma poder fazer a seleção. Assim, embora pareça que foi feita justiça, acontece que na Escola poderão passar a ser colocados professores “que não entendem ou se identificam com a metodologia em prática, equivale ao risco de que o projeto Fazer a Ponte possa ruir por uma espécie de autofagia”.

Embora a Escola da Ponte não seja o paraíso na Terra é uma escola onde se vive a democracia, onde “os alunos debatem e decidem tudo o que nela se passa, onde cada criança define o respetivo plano de aprendizagem, de acordo com conceitos de autonomia, solidariedade e responsabilidade e onde os professores trabalham em equipa dentro dos diferentes espaços”.

Para além do referido, os pais têm um envolvimento na vida da escola que não se verifica nas restantes. Com efeito, o Regulamento Interno reconhece “aos seus representantes uma participação determinante nos processos de tomada de todas as decisões com impacto estratégico no futuro do Projeto e da Escola”.

Será que nos Açores é possível haver uma escola pública a funcionar em moldes semelhantes? Infelizmente, creio que não!

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31335, 20 de setembro de 2017, p.10)

http://www.noticiasmagazine.pt/2017/escola-da-ponte/

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A Lição